quarta-feira, 12 de junho de 2019


COMISSÃO  ARQUIDIOCESANA  JUSTIÇA  E  PAZ  DE  SÃO  LUÍS/MA
  
               A Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz de São Luís/MA, organismo da Igreja Católica local, em sintonia com  as recentes publicações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), sobre “a retórica da reforma e a realidade da desigualdade social”, manifesta-se, também, contrária às ações apresentadas pelo Governo Federal que se contrapõem a uma verdadeira educação pública democrática e cidadã  e a “iníqua” proposta de reforma da Previdência,  por ser contra os interesses dos segurados e benéfica para empresas e o sistema financeiro. 
                        Essa proposta, sem nenhum fundamento, cria regras perversas de transição, obrigando os trabalhadores a contribuírem por muito mais tempo e os poucos que conseguirem se aposentar receberão proventos menores do que os que recebem atualmente.  E não é só:  as mulheres, os trabalhadores rurais, os idosos, as pessoas com deficiência e os aposentados e as aposentadas por invalidez serão punidos pelos cálculos financeiros e pela contabilidade dessa proposta de reforma a serviço somente dos interesses do “mercado” que refletem os objetivos dessa economia desumana e cruel.
                       Além disso, diante das graves notícias amplamente divulgadas, nos últimos dias, pela mídia nacional e internacional, seguindo o entendimento da CBJP, em esclarecedora Carta Circular, datada do dia 10 último, assinada por Carlos Alves Moura, Secretário Executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz, transcreve-se, a seguir, parte da mencionada Nota dirigida à Rede Brasileira Justiça e Paz:  
 “O sentimento de justiça, pedra angular do Estado Democrático de Direito, está profundamente comprometido com a divulgação de notícias, não negadas, de comportamentos atribuídos às autoridades responsáveis pela “operação Lava Jato”, violando o devido processo legal insculpido no art. 5º, LIV, da Constituição da República, e as garantias constitucionais, podendo provocar a nulidade das decisões penais ali adotadas.
“A nação espera que as autoridades competentes promovam, sem demora, a devida apuração, firme e equilibrada, dos graves fatos denunciados que, se comprovados, deverão produzir as necessárias consequências de responsabilização dos agentes e restauração dos direitos subtraídos aos investigados.
“Cabe lembrar que ninguém está acima da lei, nenhuma autoridade do Estado pode agir contra a lei, especialmente aquelas a quem compete a administração da Justiça, sob pena de se cair num estado de exceção em que os direitos passam a não valer e o autoritarismo nega a própria Democracia.
“Os três Poderes da República são, pois, convocados a exercerem seu mister de cumprir a Constituição, devolvendo a tranquilidade e a segurança de que a população precisa.  À sociedade civil e a cada cidadão cabe manter-se vigilante e se manifestar civicamente colaborando assim na defesa das instituições republicanas e democráticas”.
                              Por isso, a Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz de São Luís, apoiando o gesto concreto de solidariedade da Comissão Brasileira Justiça e Paz aos injustiçados deste País, diante dessa nova ordem que a classe dominante pretende ver restabelecida, posiciona-se, publicamente,  na defesa intransigente dos  fundamentos que constituem a República Federativa do Brasil em Estado Democrático de Direito (art. 1º - CF) e dos seus objetivos fundamentais (art. 3º - CF):
. construir uma sociedade livre, justa e solidária;
. garantir o desenvolvimento nacional;
. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
. promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
                      Com este compromisso, espera-se uma prática política realmente voltada para que “todos tenham vida e vida em abundância”, como proclamado no Evangelho de João 10 – 10.

                                      São Luís,  11 de junho de 2019

                                               MARTHA  BISPO
                                Secretária Executiva da Comissão

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