Mensagem pública aprovada pelas Comissões Justiça e Paz da CNBB e a Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação da CRB, que formam a Rede Brasileira Justiça e Paz, reunidas em Brasília, de 10 a 12 de Novembro de 2017.
Misericórdia e fidelidade se encontram,
justiça e paz se abraçam (Salmo 85, 11)
A realidade brasileira expõe uma nação à deriva, sem rumo, entregue à voracidade do mercado
financeiro nacional e internacional. Há quem sustente que esta situação revela algo premeditado e
com objetivo claro: aprofundar o modelo de país voltado para fora como fonte de matérias primas
oferecidas às metrópoles de plantão.
Tal anomalia tem uma funcionalidade, pois legitima a adoção de políticas que, num quadro de
normalidade, jamais seriam aceitas. Ao explorar o vocábulo crise, implicitamente induz à admissão
de que o Estado Democrático de Direito ainda subsiste e não estaríamos caindo em outra realidade,
um novo formato de Estado, voltado à multiplicação de lucros e ampliação do controle penal dos
“indesejáveis”, em negação de valores essenciais à própria humanidade.
É dentro desta perspectiva, que se explica a interminável necessidade de buscar a desconstrução dos
instrumentos de governança e inclusão social, que desde 1930 deram sentido à nacionalidade
brasileira, apesar dos inúmeros limites e percalços que não podem ser olvidados.
Há poucos meses foi decretado o fim da CLT, medida que acaba de entrar em vigor, ousadia que
nem o arbítrio de 1964 foi capaz de propor. O atual Presidente da República comporta-se sem
cerimônia e desprovido da “liturgia do cargo” para enterrar as denúncias que pesam contra ele e
seus mais próximos auxiliares. Para tanto, faz uso indevido de nomeações, verbas e distribui
privilégios que o mau manejo da máquina pública proporciona, em escandalosa cooptação de
parlamentares e parte majoritária da mídia empresarial.