sábado, 19 de novembro de 2016

Papa Francisco

Papa ao jornal "Avvenire": servir aos pobres significa servir a Cristo


Cidade do Vaticano (RV) - A Igreja é o Evangelho, não “um caminho de ideias” e um “instrumento” para consolidá-las, nem um “time de futebol” que busca torcedores. É a obra de Cristo que nos leva a servir aos pobres, que são a Sua carne: afirma o Papa Francisco em entrevista concedida a Stefania Falasca para o jornal dos bispos italianos “Avvenire”, na qual, na conclusão do Jubileu da Misericórdia, exorta a “caminhar juntos na senda do ecumenismo”.
Ecumenismo, caminho que vem de longe
A unidade se faz percorrendo três caminhos: caminhando juntos “com as obras de caridade”, rezando juntos e reconhecendo a “confissão comum”, assim como se expressa no “martírio comum” recebido em nome de Cristo, no “ecumenismo do sangue”.

II ENCONTRO DA IGREJA CATÓLICA NA AMAZÔNIA LEGAL

Carta compromisso
“Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis
Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram” (Rm 12,14-15).

Nós, bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, assessores, leigos e leigas, reunidos em Belém do Pará, no II Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, enviamos esta Carta Compromisso, de coragem e de esperança, aos irmãos e às irmãs das nossas Dioceses, Prelazias e a todos as pessoas que quiserem ouvir a nossa voz.
 Estamos vivendo um momento difícil da história do Brasil e da humanidade. A crise econômica, as pragas da guerra, da corrupção e da violência e o fenômeno das migrações forçadas são consequências de uma crise bem mais profunda, caraterizada pela perda de valores referenciais, tais como: a vida e dignidade humanas, o direito a existência das diferentes espécies vegetais e animais que sofrem a incontrolável destruição do maravilhoso jardim da criação, ainda visível em muitos recantos desta verde Amazônia. Os projetos predatórios que aqui se alastram, pelos rios e pelas matas, não levam em conta os direitos da natureza, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais que, desde sempre, convivem em harmonia e respeito com o ambiente, na casa comum, dádiva milenar. O mito do progresso sem limites e do lucro a qualquer custo continuam prometendo o sonho do paraíso aqui na terra, ao alcance de todos. Na realidade, assistimos à exclusão social, à discriminação dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, ao inchaço das periferias pobres das nossas cidades. Unimos a nossa voz a tantos que denunciam que “este sistema exclui, destrói e mata” (Grito dos Excluídos 2016).

sábado, 12 de novembro de 2016

Quarta de Paz

A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São  Luís estará realizando mais uma  Quarta de Paz, no dia 16 de novembro próximo, às 19:00h, no auditório da Livraria Paulus, situado na Rua do Passeio, n 229 – Centro.

O tema do mês será Violência Urbana e Encarceramento em Massa, considerando o encerramento do ano da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco. Serão  expositores nessa noite o Padre Roberto Perez, coordenador da Pastoral Carcerária, o advogado Luís Antônio Câmara Pedrosa e o juiz de Direito, Carlos Roberto Gomes de Oliveira Paula.

A questão a ser abordada no dia 19 diz respeito a um dos maiores problemas sociais do Brasil.  Essa realidade cruel  se agrava a cada,  dia diante da indiferença e do preconceito da sociedade. 

sábado, 5 de novembro de 2016

Helena Barros Heluy

Dei um mergulho no tempo: 
revi muitas fisionomias e recolhi lembranças.

Caríssimo  Alípio Cristiano de Freitas, 

Obrigada por adicionar-me  ao seu facebook e ter a oportunidade de ler, nele, tão emocionante  trecho de sua história vivida  em terras do Maranhão.   Mais precisamente,  em São Luís, com sua gente e suas circunstâncias,  em meados do século passado. 

Dei um mergulho no tempo: revi muitas fisionomias e recolhi lembranças. Primeiro,  o movimento estudantil,  secundaristas e universitários em seus memoráveis congressos e sua marcante presença neles; reencontro, ao mesmo tempo,  sua atuação na Floresta,  numa corajosa antecipação dos resultados do Concílio Vaticano II. 

Vejo, depois,  Augusto José do Nascimento ao seu lado, não como um fiel escudeiro somente,  mas um irmão, um amigo,  um companheiro na luta maior de construção de um mundo justo,  solidário e fraterno.

Vejo João Francisco,  Alípio de Freitas e Casimiro Carvalho, ali na Rua da Paz, lutando por uma educação popular,  na campanha  "DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE A LER".

Vejo o Jornal do Povo com sua redação e redatores (Benito Neiva, Manoel Lopes, Joaquim Itapary, Reginaldo Telles, Ubiratan Teixeira), os funcionários da administração (d. Lili, Geraldo Moreira e Raul Ramos), sinto o cheiro e ouço o barulho das máquinas,  contemplo o telefone preto número 1281, na parede, ligando e atendendo, e o jornalista Alípio de Freitas, sempre com uma excelente e oportuna colaboracāo, chegando, cheio de suas permanentes inquietações locais e internacionais. 

Ali, fervilhavam sonhos, política, poesia, utopias sob a direção de Neiva Moreira e Bandeira Tribuzi,  todos subordinados ao consistente slogan "CONTRA A OPRESSĀO E A INJUSTIÇA SOCIAL". 

O texto de Alípio Cristiano de Freitas me faz tornar àquele tempo, é verdade. Mas me faz lembrar também a luta e o sacrifício de muitos, nāo só de  ontem, mas de sempre, inclusive os muitos combatentes, como Alípio, que não perderam nem perdem a ESPERANÇA. 

Não é sem razão o título de seu livro, RESISTIR  É PRECISO, edição esgotada.  

Obrigada, amigo - e um grande abraço,  extensivo a Guadalupe  - pela amizade e pelo carinho com que ilustrou a postagem com a emblemática foto, também ilustrativa,  do "Muro de Vidro" que, em 1961, ousou lançar a candidatura do Pe. Alípio, para as próximas eleições.

Alípio Cristiano de Freitas

Pequenas histórias da memória
Eis o oferecimento:   "A Helena Barros,  autora de Muro de Vidro,  como agradecimento pelo lançamento de minha candidatura.    Pe. Alípio"
Cheguei ao Brasil num dia de carnaval, em Recife. Cheguei e converti-me, para sempre a esse país. Para sempre. Depois de alguns dias na capital do frevo embarquei para São Luís do Maranhão onde D. Delgado, o Arcebispo de então, me recebeu carinhosamente. Luís era então uma cidade gentil, mediana, com aspeto colonial. O meu destino era a Universidade de S. Luís, onde por alguns anos leccionei. Mas S. Luís não era apenas uma cidade colonial era também uma cidade onde as lutas operárias já se faziam sentir, grande parte da sua população morava em casas de barro e palha, construídas no mangue, onde a pobreza era uma marca indefectivel no seu contexto diário. Apesar disso a alegria de viver aparecia em todo o seu tecido social quer no carnaval quer nas festas joninas quer nos grupos de bumba meu boi quer em associações de caracter longinquamente cultural.

Foi a sua estrutura sociocultural que me arrancou à Universidade e me jogou no mangue, nas casas de barro pau a pique e palha de palmeira. Nas ruas lamacentas, na falta de escolas primárias e na indiferença dos poderes que deviam minorar ou mudar este estado de abandono da grande maioria do seu povo. Deu-se então a minha nova conversão ao Brasil. Deixei a Universidade, peguei os meus poucos haveres e fui morar num desses bairros pobres de ruas sem calçamento, de gente sem trabalho, de todo o povo sem qualquer tipo de assistência. Foi uma surpresa geral para os meus colegas de profissão e para os meus novos vizinhos dos “alagados”. Padre era coisa que por ali não se via, não porque não houvesse lá o que fazer mas porque a cidade colonial era mais condizente com o estado social e talvez até com a sua vocação. Foram tempos difíceis em que tudo teve que ser criado com os moradores e algumas pessoas da cidade colonial. Tudo! Desde as escolas ao centro de saúde, aos poucos hábitos religiosos. Descobriu-se que a solidariedade era um valor e que ninguém estava só no mundo pois sempre havia uma mão a seu lado. Ninguém foi dispensado de participar nessa obra. Ninguém. As festas que antes eram particulares passaram a ser de toda a rua ou até do bairro. A missa dominical de que eles já tinham ouvido falar nas aldeias de onde vieram tornou-se um momento de celebração coletiva onde tudo se discutia, aprovava e cumpria. Assim, a assistência aos velhinhos, a frequência da escola primária, a preocupação com o trabalho e até o bem-estar material de cada um eram assuntos discutidos na hora na missa dominical de que todos participavam, rua por rua A minha “conversão” ao Brasil continuava. É claro que estas mudanças, ou estas novidades trouxeram consigo invejas que nós não prevíamos, críticas que nada tinha a ver com a realidade mas a união entre todas reforçava-se dia a dia. Pessoas de outras paróquias vinham à nossa paróquia não só para ver como era mas também para participar porque a missa, um batizado, um casamento tinham uma mística que não existia nas suas paróquias. Até a igreja evangélica que existia na paróquia se dissolveu e começou a participar com todo o direito nas nossas ações religiosas e de carater cultural. A autoridade eclesiástica manteve-se calada durante algum tempo mas pressionada por gente da igreja e de outos sectores sociais da cidade viu-se obrigada a intervir sob a alegação de que nós estávamos ultrapassando as normas da igreja. Em primeiro lugar todos os atos de culto eram em português: a missa, as leituras, a pregação. Tudo tinha a participação ativa de todos os crentes. A rua era o lugar escolhido para todas as manifestações religiosas ou outras que a população desejasse fazer. Quem discordou desta nova igreja e quis manter os seus laços com a igreja tradicional mudou de favela voluntariamente. Ao fim de algum tempo a paciência da autoridade eclesiástica acabou.Eu teria de mudar de paróquia, ou voltar à Universidade. Eu, porém, tinha um compromisso comigo mesmo e com o Brasil que assumira quando me converti ao Brasil. Peguei a minha rede e os meus poucos haveres e sem me despedir de ninguém, morei alguns dias com um antigo companheiro de luta e depois ingressei em definitivo nas Ligas Camponesas.
Esta é uma história que se escreve com muitos outros episódios, e que vão desde a prisão à tortura e termina com a minha quase expulsão do Brasil pois o país que eu amava e amo declarava-me apátrida.
Apesar disso aminha conversão mantém-se nem a morte poderá mudá-la.

CNBB - Nota

Nota sobre um ano da "Tragédia de Mariana"

 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, por intermédio de sua Presidência, traz à memória a tragédia que causou inúmeras vítimas, com o rompimento da Barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana – MG, no dia 5 de novembro de 2015. As consequências, ainda em curso, alastradas por comunidades e cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, chegam até o Oceano Atlântico, causando danos socioambientais, econômicos e culturais incalculáveis. Um ano depois, constata-se que, a bacia Rio Doce ainda está longe de apresentar os desejáveis sinais de recuperação.
Esse acontecimento não pode ser esquecido nem banalizado. A imensidão de lama, de rejeitos de minério da barragem rompida, ao atingir as famílias, levou consigo suas casas, seus meios de sustentação e, na sua face mais cruel, a própria vida de dezenove pessoas. Nossa voz faz ecoar o grito dos que clamam pela apuração dos fatos, responsabilização dos culpados e justa indenização dos atingidos.
Fazemos nossas as palavras de D. Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana, colocando-nos ao lado das vítimas “para que tenham seus direitos respeitados, sua dignidade reconhecida, seus bens ressarcidos e seu protagonismo considerado na busca de soluções que atendam a seus legítimos interesses” (Encontro Nacional dos Movimentos Populares, Mariana, 03/06/2016).

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Oração pela nossa terra

Deus Omnipotente,
que estais presente em todo o universo
e na mais pequenina das vossas criaturas,
Vós que envolveis com a vossa ternura
tudo o que existe,
derramai em nós a força do vosso amor
para cuidarmos da vida e da beleza.
Inundai-nos de paz,
para que vivamos como irmãos e irmãs
sem prejudicar ninguém.
Ó Deus dos pobres,
ajudai-nos a resgatar
os abandonados e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos.
Curai a nossa vida,

Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH)

Carta aberta aos estudantes que participam da Ocupação do Liceu Maranhense

Nesta terça-feira (01.11.2016), a opressão exercida pela violência policial se fez sentir dentro dos muros do Liceu Maranhense. O alvo das agressões, desta vez, foram as alunas e os alunos da instituição de ensino centenária. Adolescentes que posicionaram-se contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 241.2015) e a Medida Provisória que reforma o Ensino Médio.
A ação truculenta dos agentes policiais contra os estudantes é mais um episódio sombrio do processo pelo qual passa o país. As mais de mil escolas ocupadas em todo o Brasil vêm sendo silenciadas sistematicamente, seja pela repressão do estado, seja pela omissão conivente dos grandes meios de comunicação, que criminalizam as manifestações e impedem o debate público sobre as reivindicações populares.

Papa Francisco


“Nenhuma família sem casa,
Nenhum camponês sem terra,
Nenhum trabalhador sem direitos,
Nenhuma pessoa sem dignidade”.
Papa Francisco.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Capítulo II

NA CRISE DO COMPROMISSO COMUNITÁRIO

50. Antes de falar de algumas questões fundamentais relativas à acção evangelizadora, convém recordar brevemente o contexto em que temos de viver e agir. É habitual hoje falar-se dum «excesso de diagnóstico», que nem sempre é acompanhado por propostas resolutivas e realmente aplicáveis. Por outro lado, também não nos seria de grande proveito um olhar puramente sociológico, que tivesse a pretensão, com a sua metodologia, de abraçar toda a realidade de maneira supostamente neutra e asséptica. O que quero oferecer situa-se mais na linha dum discernimento evangélico. É o olhar do discípulo missionário que «se nutre da luz e da força do Espírito Santo».[53]

GRITO DOS/AS EXCLUÍDOS/AS